Bom dia, boa tarde, boa noite, ou seja lá a hora que você estiver lendo isso :)

Cultura da dieta: saiba o que significa

O que é cultura da dieta? Entenda sobre esse sistema opressor

Você sabe o que é a cultura da dieta? Ela engloba um conjunto de situações e atitudes que geram culpa e insatisfação em relação ao próprio corpo. Entenda!

publicidade

publicidade

O que é cultura da dieta? Entenda sobre esse sistema opressor

Você sabe o que é a cultura da dieta? Ela engloba um conjunto de situações e atitudes que geram culpa e insatisfação em relação ao próprio corpo. Entenda!
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Cultura da dieta: saiba o que significa

publicidade

publicidade

Sabe quando você está em uma roda de amigas e de repente todo mundo começa a falar sobre dieta, shakes, remédios para emagrecer e você nem sabe como o tema surgiu? Ou quando o corpo de outra mulher vira pauta, independentemente se ela é famosa ou não? Situações como essas nos lembram que o controle do nosso peso é uma preocupação pessoal e coletiva. Esse conjunto de situações e atitudes fazem parte da cultura da dieta.

A cultura da dieta cria uma imaginário em relação a corpos magros

Para Sophie Deram, médica nutricionista e autora do livro “O Peso das Dietas”, a cultura da dieta transforma a comida em um grande tabu, além de construir um imaginário de disciplina e sucesso em corpos magros por eles – supostamente – terem um regime equilibrado e saudável. Tudo isso cria uma categorização entre “comida permitida” e “comida proibida”. Ou seja, passamos a dar um valor moral aos alimentos que passam a ser bons ou ruins.   

A nutricionista Roberta Stella, especialista em transtornos alimentares, questiona: “Por que uma pessoa que se alimenta com restrições alimentares, comendo o que é julgado certo ou saudável, é admirada, vista como uma pessoa de sucesso e exemplo a ser seguido? Ou, mesmo não sabendo sobre o hábito alimentar das pessoas, temos a imaginação de como elas se alimentam baseados somente na aparência física?”. 

Cultura da dieta e a publicidade: muita insatisfação, muito dinheiro

No dicionário, a definição de dieta é “cota habitual de alimentos sólidos e líquidos que uma pessoa ingere”. Além disso, “regime alimentar prescrito pelo médico com privação total ou parcial de alimentos específicos”. Porém, o significado não é o mesmo quando falamos de uma cultura em torno dela. A cultura da dieta reforça na sociedade um conjunto de hábitos alimentares e essa ideia está presente em todos os lugares, desde a roda de amigas até as prateleiras dos supermercados.

Quando vemos um anúncio de chá para emagrecer e ele é apenas um chá com suas propriedades naturais, estamos vendo uma publicidade alinhada com o desejo de tornar um produto alvo de consumo. A vontade de comprar algo porque emagrece e não porque faz bem é consequência dessa cultura.

O mercado fitness aparece neste cenário, movimentando insatisfações e muito dinheiro pelo mundo. Em 2019, o Brasil alcançou o faturamento de U$ 2,1 bilhões de dólares, sendo o terceiro maior das Américas, de acordo com o International Health, Racquet & Sportsclub Association (IHRSA). Esses dados apresentam um panorama de um mercado que não para de se aquecer e estimular a busca por um “corpo perfeito”.

Nunca foi pela saúde: a cultura da dieta é sobre estética

A famosa frase de Maquiavel “os fins justificam os meios” se aplica bem ao caminho que a indústria da dieta e do emagrecimento traça. E mais: faz você acreditar ser o único caminho possível. Desde dietas para emagrecer 10kg o mais rápido possível até cremes e pílulas mágicas, vale tudo por uma silhueta desenhada com o mínimo de gordura.

Aliada a uma sociedade doente que persegue um ideal de beleza magro, a gordofobia ganha espaço. Ela nega acesso e respeito a corpos gordos na vida pública. Um corpo gordo, além de ser ridicularizado pela sua estética, é excluído e patologizado na cultura da dieta. Ou seja, tratado como doente apenas pela sua aparência.

Perceba: a busca incessante por não ter um corpo gordo faz com que você procure todas as alternativas possíveis e impossíveis para que isso não aconteça. Consequentemente, faz a engrenagem do mercado girar ao consumir produtos e iniciar um novo ciclo de restrição alimentar. Não é sobre saúde, é sobre estética e todas as loucuras que podem ser feitas em busca de um corpo magro.

A intérprete de ópera Maria Callas no início do século passado se submeteu a ingerir ovos de tênia, um espécie de parasita, para emagrecer. Ou seja, acabamos acreditando que tudo vale a pena, inclusive ficar doente, para ser magra.

A indústria não tem como objetivo que você se torne mais saudável e se alimente melhor, tampouco que você de fato emagreça. O objetivo do mercado e da cultura da dieta é que você continue experimentando novas fórmulas mágicas que vão te frustar a cada tentativa. O ciclo não acaba!

Comer pode ser prazeroso, sabia? E sem culpa ou permissivismo

Importante ressaltar que não falamos aqui sobre veganismo, vegetarianismo, dietas para pessoas celíacas ou com qualquer tipo de intolerância alimentar. Isso porque essas escolhas alimentares têm a ver com movimentos sociais, ideológicos ou até mesmo predisposições genéticas e não estão relacionadas intimamente ao emagrecimento. Mesmo assim, por se basearem em algum tipo de restrição, devem ser orientadas por profissionais especializados, que trabalhem com foco na saúde do paciente. 

Na contramão da cultura da dieta, nutricionistas que seguem a linha comportamental e não-prescritiva (de um modo geral, não prescrevendo dietas) estão mudando a forma como tratam a alimentação nos consultórios. 

Marcela Kotait, nutricionista e colunista do Movimento Corpo Livre, explicou sobre essa abordagem. Segundo ela, é mais importante observar como a pessoa come do que o que ela come. “Existem várias coisas que interferem no ato de comer. Desde o contexto, até as características físicas, a rotina, contextos familiares, psicológicos e emocionais. Então, por essa abordagem não-prescritiva, fica claro o entendimento de que a mesma comida pode ser comida de várias maneiras”. 

Assim, a nutrição comportamental entende a relação do indivíduo com o alimento. Assim, trata quando essa relação está adoecida e resgata a liberdade de comer sem culpa. Essa abordagem estimula o paciente a não só compreender seus sinais de fome e saciedade, como também a ter atenção plena ao próprio corpo, suas necessidades e limites.

Você precisa comer para manter o seu corpo vivo!

Por fim, é sempre bom lembrar, apesar de parecer óbvio: comer é algo que seu corpo precisa para continuar vivo. Além disso, em diversas culturas (menos na da dieta), é sagrado e tem a ver com prazer. Alimentar-se não deve trazer culpa ou ressentimentos, principalmente por ser algo que você precisa fazer. Faz parte do seu processo escolher ter uma relação mais saudável e menos tóxica com a alimentação.

Fique atenta e não caia em dietas que existem para você se sentir mal consigo mesma. Caso de fato queira e precise mudar sua alimentação, procure um profissional de confiança, que te trate com respeito, ética e profissionalismo. 

Foto de capa: Pexels

CURTIU? COMPARTILHE AQUI

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no pinterest
Compartilhar no tumblr
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email
Redação Alexandrismos

Redação Alexandrismos

Somos uma equipe de profissionais e colaboradores empenhados em transformar através da informação e da diversidade. Enquanto veículo, queremos construir uma nova forma de dialogar na internet sobre #CorpoLivre.

publicidade