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Violência obstétrica é violência de gênero

Violência obstétrica é uma violência de gênero: “Não podemos nos calar”

A colunista Larissa de Almeida relata sobre a violência obstétrica que sofreu no parto e alerta sobre essa triste realidade entre as mulheres brasileiras. Leia!

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Violência obstétrica é uma violência de gênero: “Não podemos nos calar”

A colunista Larissa de Almeida relata sobre a violência obstétrica que sofreu no parto e alerta sobre essa triste realidade entre as mulheres brasileiras. Leia!
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Violência obstétrica é violência de gênero

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Nas últimas semanas, soube do triste relato de violência obstétrica que a influenciadora Shantal Verdelho sofreu durante o parto. Isso me fez pensar no quanto nós, mulheres, somos reféns de toda uma estrutura machista e misógina que se apropria dos nossos corpos. Também vivi algo parecido no parto do meu filho.

Primeiro, uma pressão para que eu fizesse cesariana. Depois, insistindo no parto normal e indicação de ocitocina. Em seguida, uma episiotomia sem necessidade, feita com uma anestesia que sequer senti seu efeito. Além disso, a barriga empurrada com a desculpa de ajudar o bebê nascer mais rápido. Por fim, o direito negado de ter um acompanhante em sala de parto, no caso, o pai do meu filho, nesse momento tão importante.

Quanto a essa situação ilegal, processei o hospital e ganhei a causa, anos depois, mesmo sendo acusada injustamente de “enriquecimento ilícito”. Recebi aproximadamente R$5.000, mas nada paga a falta de apoio do meu então esposo na sala de parto. Possivelmente, a presença dele talvez até pudesse evitar a violência que sofri. Eu estava vulnerável, ansiosa, deitada numa maca rodeada de homens, médicos que pareciam querer apressar um momento que, pra mim, foi único! Qual valor paga uma violência?

Pesquisas mostram que violência obstétrica é uma violência de gênero

Imagino quantas mulheres sofreram esse tipo de violência. Seja com xingamentos, retaliações físicas, piadinhas de mau gosto, intervenções médicas desnecessárias no momento do parto ou em consultas pré-natais. De acordo com o estudo “Mulheres brasileiras e gêneros nos espaços público e privado”, da Fundação Perseu Abramo em parceria com o Sesc, a violência obstétrica é realidade para 1 em cada 4 mulheres no Brasil. Números altíssimos que registram traumas de uma violência para uma vida inteira.

De acordo com matéria do site Yahoo, o termo violência obstétrica é definido como qualquer ação sobre o corpo da mulher que é desnecessário ou indevido no momento em que ela está em estado de vulnerabilidade. “É uma violência de gênero e recai sobre o corpo da mulher”, explica Ana Lucia Dias Silva Keunecke, advogada e membro da rede REHUNA (Rede pela Humanização do Parto e Nascimento).

Apenas 5% das brasileiras não sofreram violência obstétrica

Num momento de total vulnerabilidade em que precisamos de acolhimento, o que encontramos é essa triste realidade. Em uma pesquisa da Fiocruz, realizada entre 2011/2012 com quase 24 mil mulheres, podemos observar que toda essa prática que passei é bem comum, mas não é o recomendado pela OMS.

“A maioria das mulheres foi submetida a intervenções excessivas, ficou restrita ao leito e sem estímulo para caminhar, sem se alimentar durante o trabalho de parto, usou medicamentos para acelerar as contrações (ocitocina), foi submetida à episiotomia, deu à luz deitada de costas, muitas vezes com alguém apertando a sua barriga (manobra de Kristeller). Esses procedimentos, quando usados sem indicação clínica, causam dor e sofrimento desnecessário e não são recomendados pela Organização Mundial da Saúde”. 

A pesquisa diz ainda que “poucas mulheres brasileiras tiveram a chance de vivenciar um parto sem as intervenções anteriormente descritas”. Apenas 5% do total, valor muito inferior aos 40% observados no Reino Unido. O padrão se distribui por todas as regiões geográficas e tipos de serviço de saúde. Assim, mostra que a medicalização do parto é uma prática disseminada por todo o país”. Portanto, atinge todas as camadas sociais. Indo do serviço público ao privado, da mulher negra e carente até a mais rica e branca.

As recomendações sugeridas ao final da pesquisa indicam a “urgência em mudar o modelo de atenção ao parto e o nascimento e ao nascimento no país”. Além disso, também recomenda aos profissionais de saúde que promovam uma relação respeitosa com a mulher, dando ”acolhimento, garantia de privacidade, autonomia e envolvimento da mulher nas decisões relacionadas à sua gestação e ao parto”.

“Precisamos incentivar o protagonismo da mulher na condução do parto”

Como a própria pesquisa da Fiocruz diz, “a mãe sabe parir e o bebê sabe como e quando nascer”. E, como a Shantal disse durante seu parto, somos as principais interessadas nisso. Precisamos incentivar o protagonismo e autonomia da mulher na condução do parto. Por isso que não podemos nos calar!

É possível denunciar à ouvidoria do hospital, aos Conselhos Federais e Estaduais de Medicina ou Enfermagem. E, ainda, ligue para o 180 (Violência contra a Mulher) ou para 136 (Disque Saúde). Também é possível entrar em contato com Ministério Público Federal para abrir um procedimento contra o médico ou hospital.

Dentre tantas formas de denúncias, o melhor mesmo seria que esse tipo de violência de gênero não acontecesse e que nós, mulheres, pudéssemos ter, pelo menos, o direito de gestar e parir em paz! 

Foto de capa: Pexels

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Larissa de Almeida

Larissa de Almeida

Sou professora, criadora do perfil informativo @explantedesilicone no Instagram e estou presidente da ACEITA. Depois de ter tirado o silicone a minha vida mudou, por isso hoje levo o alerta e a conscientização para que as mulheres sempre acreditem em si e percebam o quanto juntas somos mais fortes.

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