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Uma reflexão sobre o amor: “Quantas vezes você já foi amado?”

Em uma reflexão sobre o amor, o colunista Hugo Vasconcelos se questiona porque é tão difícil vivenciar esse sentimento. Leia mais!

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Uma reflexão sobre o amor: “Quantas vezes você já foi amado?”

Em uma reflexão sobre o amor, o colunista Hugo Vasconcelos se questiona porque é tão difícil vivenciar esse sentimento. Leia mais!
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"Quantas vezes você já foi amado?": uma reflexão sobre o amor

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Estava passeando o dedo pelas redes sociais e essa frase me nocauteou. Foi tão forte, que era a única coisa que passava na minha cabeça. Vários pensamentos explodiam, eram tantas condicionantes, que não fui capaz de administrar. Desde então, fico refletindo sobre amor. Por horas cogitando quem poderiam ser as pessoas que nutrem esse sentimento por mim.

Pensei na minha mãe, mas ela foi geneticamente programada a me amar. Em seguida, pensei na minha família e nos meus amigos que acredito que me amam – ok. Mas, assim como você, pensei em um amor que beijasse a minha boca.

Percebi que o amor não havia sido construído para mim”

O meu ponto de partida foi entender o que é amor. Por isso, pesquisei o significado – percebi que o amor não havia sido construído para mim. O consenso etimológico é coberto de privilégios: branco, hétero, cisgênero, cristão católico romano e assim por diante.

Eu sou um homem homossexual, a forma heteronormativa de amar não se encaixa a mim. O meu amor é, inclusive, todos os dias invalidado por eles – como se fosse sujo, promíscuo e sem valor.

Por muito tempo, eu me senti insuficiente para dar e receber afeto amoroso. O medo se fortalecia na mesma proporção em que eu queria vivenciar o amor com um homem – até que eu desisti. Essa insuficiência foi gerada pelo receio de me frustrar. Criei camadas de proteção contra o amor, porque não parecia ser acessível para mim.

No entanto, percebi que teria de ser corajoso para conhecer alguém e ter a oportunidade de vivenciar – mesmo com medo de terminar com uma taça de vinho na mão, ouvindo o álbum inteiro do Jão no volume máximo.

“Mesmo que estejamos dispostos, vivenciá-lo é difícil”

Instalei um aplicativo de relacionamentos – foi complexo. Tinham pessoas buscando por diversas coisas e a maioria por sexo casual. Eu queria conhecer alguém, ter uma conversa legal, ir em um barzinho e ver no quer aquilo poderia resultar.

Conheci homens muito legais – eu juro que é possível conhecer homens legais em aplicativos. Mas alguns deles estavam mais dispostos a me amar do que eu a amá-los. Não conseguia ser recíproco na amorosidade. Mesmo sendo homens que mereciam ter a mesma resposta, percebia que aquilo não sairia além de uma boa amizade.

Mesmo que estejamos dispostos, vivenciá-lo é difícil. Carregamos bagagens com expectativas de como desejamos que sejam, com potencial incrível de frustração. Por isso, desisti do aplicativo, conversei com algumas amigas sobre e a dica foi: o amor vai acontecer no momento certo. Alguns flertes aconteciam ocasionalmente, nada demais.

Até que uma solicitação chegou e eu por um acaso aceitei. Um “story” foi respondido e, em seguida, nasceu uma conversa. As coisas caminham de uma forma leve, me conecto com ele como nunca ocorreu com nenhum outro.

A cada dia e encontro que passam, eu gosto mais de estar com ele. Pasmem: é recíproco. Aos telespectadores de filmes de princesas: calma, ainda estamos nos conhecendo, temos dragões ainda para enfrentar.

“O autoamor é um exercício diário que necessita de manutenção”

No entanto, mesmo tudo estando fluindo bem, passou pela minha cabeça: eu mereço estar finalmente vivenciando isso? Fiquei com medo de as coisas estarem caminhando de uma forma saudável. O sinal de gerenciamento de crises acendeu todas luzes. Quase me sabotei, por tudo estar bem demais para ser verdade – muito novo isso para mim.

Nós acostumamos com o sofrimento, com a dor. Mesmo que o que todos nós precisamos e queremos é viver em paz. Portanto, ressignificar os resquícios que podem aparecer é necessário: o autoamor é um exercício diário que necessita de manutenção. A partir disso, somos capazes de amar e ser amados. E talvez não dê certo e tudo ainda sim ficará bem.

Talvez esse texto fosse menos cruel se o título fosse “O que é amor para você?”.

Foto de capa: Pexels

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Hugo Vasconcelos

Hugo Vasconcelos

Oi, me chamo Hugo. Sou arquiteto e ativista social que busca colaborar para a implementação da promoção e da proteção dos Direitos Humanos. Fundador do coletivo Pride, em parceria com a ONU. Nesse espaço, escrevo textos auxiliares para mediar as nossas conversas e espero ter trocas incríveis com vocês!

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